top of page

Papai Noel?

Foto do escritor:  Nicolas Azobrab
Nicolas Azobrab
28 de dez. de 2020
4 min de leitura

Era uma vez, em uma vila de cachorros ao sul da linha do equador, um filhote chamado Tony. ⠀ O pequeno labrador tinha um grande sonho: descobrir a identidade do Papai Noel. ⠀ Sempre discutia com seus amigos qual era a raça do bom velhinho. Uns diziam que ele era um Husky Siberiano, capaz de aguentar viver no frio do Polo Norte, outros falavam ser um “Bearded Collie” com longos pelos branquinhos pelo corpo rechonchudo e tinham também os outros animais que apostavam que ele era um ser de sua mesma espécie. ⠀ Por mais que investigasse entre seus conhecidos e os visitantes de outras cidades, Tony tinha certeza de uma única coisa: sua vila era a última parada do Papai Noel. ⠀ Mantendo esse pensamento em mente, ele passou o ano inteiro se comportando. Ajudava seus pais nas tarefas da toca e respeitava os coleguinhas na escolinha de Pets. Tudo para que quando chegasse a hora de botar seu plano em prática ele não tivesse nenhum débito com o bom velhinho. ⠀ A primeira etapa do seu esquema se iniciou no dia em que a professora da turma distribuiu papeis e canetas para que todos pudessem escrever uma cartinha para enviarem ao Polo Norte. Tony sabia que não adiantava pedir em sua carta para que o Noel aparecesse em sua porta e dividisse uma tigela de ração e biscoitos caninos. Então ele escreveu: ⠀ Querido Noel, ⠀ Meu nome é Tony Tony Doguer, mas imagino que o senhor já saiba disso. ⠀ Fui um bom filhote o ano todo. Me comportei como o senhor sempre pede e aqui venho lhe fazer o meu pedido de Natal. Não quero brinquedos, nem mesmo algum tipo de milagre. A única coisa que peço para o senhor, é que durante sua passagem na vila dos cachorros, estacione seu trenó por 5 segundos, pois, o meu maior desejo é descobrir qual a sua raça, ou mesmo, resolver o mistério sobre sua espécie, mesmo que os outros filhotes não acreditem em mim se eu contar. ⠀ Um grande abraço, ⠀ Com amor, Tony Tony Doguer! ⠀ ⠀ Os dias se passaram e a ansiedade do pequeno pet só crescia. No dia anterior a ceia, foi dormir o mais tarde que seus pais deixaram, para que pudesse acordar bem tarde no dia seguinte e assim poder ficar acordado para ver o velhinho. Para seu azar, sua família por parte de mãe chegou cedo naquele dia e Tony foi desperto muito antes que planejara pelos filhotes de tia Cléo. ⠀ Por mais que gostasse dos primos, sentia-se triste por antecipação, sabendo que não conseguiria ver seu desejo realizado. Tentou participar das brincadeiras, mas nenhuma conseguia levantar seu ânimo. Durante a ceia, o sono já lhe pesava nos olhos e assim que terminou de comer, mesmo lutando para se manter consciente não conseguiu e assim embalou em um sono profundo. ⠀ Tlim, tlim, tlim, tlim! ⠀ Tony Tony despertou escutando o som de sinos. Demorou-lhe para cair a fixa do que estava acontecendo. Correu para a porta de sua toca e mesmo sem estar agasalhado, saiu para o quintal. Olhou para as ruas procurando pela origem das badaladas e não os encontrou. Quando percebeu de onde vinha o tilintar, olhou para os céus e ficou aterrorizado. ⠀ Puxando um trenó vermelho com enfeites dourados nas laterais, Tony observou nove criaturas que andavam em duas patas, segurando as cordas pelos ombros. Notou que aqueles seres bizarros possuíam a pele nua e exposta ao frio sem nenhuma camada de pelos, exceto por poucas áreas do corpo como as cabeças e partes íntimas. A que mais chamou sua atenção tinha um corpo rechonchudo, pelos no rosto que formavam uma grande guirlanda branca e um nariz pequeno e azulado. ⠀ A visão daqueles estranhos animais, provocaram um temor profundo em seu coração. Sentiu que se vivesse em algum outro lugar, elas seriam as dominantes e que esse mundo seria um completo caos para um filhote como ele. ⠀ Congelado pelo terror, quase não viu o seu maior objetivo daquela noite. Os cinco segundos do pedido estavam acabando e as criaturas começaram a se movimentar, de maneira completamente alienígena para ele, puxando o Bom Velhinho. Tony mirou o trenó e viu a grande galhada que havia na cabeça do ser que o guiava. Notou a manta de pelos amarronzada que cobria seu corpo e o gorro vermelho em sua cabeça. Diferente do que acreditava, o Papai Noel não era um cachorro. ⠀ — Ho, Ho, Ho — o riso da grande Rena ecoou na noite, enquanto acenava para Tony, partindo para o Polo Norte. ⠀ O pequeno labrador observou o trenó desaparecer no horizonte, entrou em sua toca, deitou em sua cama e prometeu para si mesmo que nunca revelaria para ninguém o que havia visto naquela noite de Natal. ⠀

⠀

Último conto da semana do Natal Bizarro!!! ⠀ A ideia desse conto foi a união de 2 ideias: ⠀ Ideia 1: E se na verdade é uma Rena que entrega os presentes em um trenó puxado por velhinhos? — @escritorfabiocardoso (instagram) ⠀ Ideia 2: Natal dos Cachorros — @alipio_al (Instagram)

Deixe suas críticas e comentários abaixo. ⠀ Obrigado por serem os melhores leitores e leitoras sempre!!! ⠀ Nos vemos na próxima, um abraço virtual e até a próxima!

Comentários


Post: Blog2_Post

©2020 por Nicolas Azobrab. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page