O Mascarado

Atualizado: 11 de out. de 2020

Tudo aconteceu muito rapidamente. O dia no trabalho havia sido exaustivo, mas nada além do normal. Apesar de toda monotonia do seu trabalho, Cláudio sabia que ao chegar em casa seria agraciado por um jantar feito por Elisa, que apesar de não ser uma das melhores cozinheiras, se empenhava e botava amor em tudo o que fazia. Provavelmente ficaria irritado com alguma travessura que Sofia haveria de ter aprontado durante o dia, mas sabia que seria derrotado pelo sorriso daquela pequena versão de sua esposa.
A chuva caia, o ar gelado batia contra o vidro quente do carro o deixando embaçado. O som ligado num volume agradável embalava o caminho de volta para casa. Da fresta levemente aberta da janela, deixada assim com a intenção de amenizar o embaçamento do vidro, atravessavam gelados pingos de chuva. Virando a esquina, um som de sirenes tomou conta do ar. As luzes vermelhas e brancas criavam grandes e desfocadas bolas de luz. Quanto mais se aproximava de casa, mais Cláudio sentia um aperto no peito.
Aquele foi o momento mais duro de sua vida. Segurando aquela máscara branca sem emoção alguma, ele lembrava muito bem da chuva cobrindo-lhe o corpo, do momento em que a policial encarregada lhe abordou e deu a notícia. Lembrava de como havia sentido o chão aos seus pés perderem estabilidade, de todo som a sua volta sumir e dar espaço a sua respiração forte e irregular, de as luzes perderem o foco e da forte e aguda dor em seu coração. As lembranças daquela tragédia lhe causavam enorme tristeza, mas também lhe davam forças para o que teria que fazer a seguir.



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