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Doce Borboleta

Foto do escritor:  Nicolas Azobrab
Nicolas Azobrab
14 de out. de 2020
2 min de leitura


Receosa, Stephanie abriu a caixa e encontrou dentro uma borboleta. Com suas asas acinzentadas e um corpo esbranquiçado, o pequeno inseto se encontrava morto. A encomenda havia chegado em sua residência pela manhã. Não havia nenhum remetente na embalagem, apenas uma mensagem que dizia:


"Apenas o amor nos dá asas para voar"


Há 2 semanas ela recebia essas encomendas anônimas. Nas vezes anteriores, o conteúdo dos pacotes foram lagartas de cores verdes, marrons, laranjas, cinza com listras bege, roxas, pretas, brancas, peludas e cascudas. Sempre com uma carta pregada na lateral. O que no início lhe parecia apenas um inofensivo trote agora lhe gerava angústia e medo.


— POR QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO ISSO COMIGO? — Berrou para a rua esperando que sua mensagem chegasse ao seu torturador psicológico.


Arremessou a caixa o mais longe que conseguiu e bateu a porta de sua casa. Seu coração batia acelerado. Era a primeira vez que recebia algo diferente das diversas lagartas, mas diferente das outras vezes aquela borboleta havia revelado quem era seu possível perseguidor.


Três semanas atrás recebeu um "direct" em seu Instagram. A imagem do perfil desconhecido era um desenho de um palhacinho sorridente. Curiosa, ela abriu o chat.


— ❤❤❤❤


— Olá, quem é vc?🤔 — Mensagem enviada por Stephanie.


— Aqui é o 🤡 do amor❤, e escolhi vc para ser minha 🦋😍


— Desculpe, mas acho q mandou mensagem pra pessoa errada😅


— Eu nunca erro😤! Só escolho as 🦋 mais perfeitas para minha coleção!


— Olha obrigada, mas não quero fazer parte da coleção de ninguém🤨! Pf não me mande mais mensagens!!!


— 🤡😥😡


Abalada com a lembrança das mensagens e da borboleta se despedaçando dentro da caixa de papelão mal embalada, pegou o celular. Começou a discar o número da polícia quando a campainha tocou. Seu coração parou por alguns instantes. Tremendo, prendeu a respiração e espiou pelo olho mágico. Viu apenas dois carros estacionados e uma vizinha caminhando com um cachorro acima do peso do outro lado da rua, mas não viu ninguém que pudesse ter apertado sua campainha. Apoiou sua cabeça na porta. Pensou o quão desgastantes haviam sido aqueles dias de tortura psicológica. Começou a se sentir aliviada pensando no momento em que a policia iria prender o sujeito quando ela passasse as informações dele.


Desbloqueou o celular novamente, digitou o número da polícia e apertou o botão iniciando a chamada. O celular chamou duas vezes. Stephanie se virou abandonando a porta de madeira.


— Olá minha doce borboleta!


A policial militar encarregada da ligação escutou apenas um som abafado de algo caindo no chão. Perguntou se havia alguém, mas não obteve respostas. Encerrou a chamada alegando ser um trote.


Ideia da seguidora: @Tkchuu (Instagram)

"Palhaço das Lagartas"

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