Apocalipse H.M.N

Atualizado: 13 de out. de 2020

A vacina para estabilização da regeneração corpórea estava longe de sua fase de finalização. A doutora Lisa Marques, alertava seus superiores quanto a periculosidade do novo produto que se não fosse devidamente testado em cobaias, poderia oferecer um grande risco a sociedade. O dinheiro acabou falando mais alto. Milhares de doses miraculosas foram distribuídas pelo mundo com a promessa de reduzir a queda de membros. Foi aí que o caos começou.
Dia 00 — 12h01m60n
A regeneração das células foi um desastre. As primeiras vítimas do medicamento começaram a surgir. Apresentavam comportamento choroso e impulsivo, avançando para cima de quem estivesse por perto. Um líquido transparente escorria de seus olhos servindo de condutor da vacina, infectando quem entrasse em contato. O tom de suas peles se tornara mais vivos. O sangue escuro e grosso adquiriu uma tonalidade mais viva e avermelhada. Seus longos lamentos podiam ser ouvidos a quarteirões de distância. Não fosse a melhoria da visão e olfato dos infectados, a pandemia poderia ter sido evitada.
Dia 34 — 13h04m37n
Fábio e Elis umedeciam panos na beira do rio. A tentativa desesperada para remover o odor de seus corpos apodrecidos, não estava indo muito bem. Precisavam passar por essa tortura caso quisessem permanecer como eram.
— Viiiiii umaa — Disse Elis — caaaasa lá naaa frrrrrrrrrente.
— Seeeggggura?
— Achhhhho queee da prrrrra passssssar a noite!
Dia 35 — 01h45m12n
— Aacorrrde Fáaabio, essscuttei umm barrrrrulho láa foora!
Fabio retirou sua cabeça de dentro da bolsa e segurando-a com as mãos, colocou vagarosamente para fora da janela.
— Nãoooo esstou veeendo nad... — Um grito agudo o interrompeu.
Elis, batendo os dentes, removia partes de seu corpo. Usava a mesma estratégia que os havia mantido vivos por tanto tempo. Fábio trouxe sua cabeça para dentro se preparando para agir como sua irmã.
Batiam violentamente contra a porta de madeira. Fábio, desesperado para finalizar os preparativos de seu esconderijo protetor, enganchou sem querer o braço esquerdo em um prego saliente da parede de madeira, perdeu o controle de seus dedos e sua cabeça rolou em direção a porta.
A madeira não aguentou. Farpas voaram para todo lado enquanto entrava a criatura. Fábio a observava com espanto, tentou enviar um sinal para que seu corpo fizesse alguma coisa, mas era tarde demais.
O humano, como haviam sido apelidados os infectados desde o início da pandemia, se abaixou pegando a cabeça que o olhava para ele com tanto espanto. Olhou no fundo daqueles olhos cheios de vermes e abraçou-a enquanto lagrimas escorriam sobre o crânio decepado.
Ideia: Todos são zumbis, mas a praga humana começa a surgir!
Seguidor: @EscritorFabioCardoso (Instagram)



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