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A Escolha

Foto do escritor:  Nicolas Azobrab
Nicolas Azobrab
17 de nov. de 2020
3 min de leitura


Finalmente fiz a escolha certa. Minha vida inteira foi moldada em decisões ruins, confusões e desastres, mas desta vez seria diferente. Deixaria de magoar a pessoa que amo, evitaria errar e seguiria em frente.


Tomei um banho demorado enquanto recordava as cenas picantes que vivemos (Os tons das peles se misturavam em minha imaginação). Separei a roupa que usaria (Usei a vermelha ou a azul?). Passei o perfume que usei quando a conheci (Acredito que seja esse!).


Fui a lanchonete em que marcamos nosso primeiro encontro (Isso eu não esqueceria!). Torcendo para não errar novamente, pedi para viagem o lanche que ela havia comido naquele dia. A nostalgia daquele breve, mas inesquecível, momento, me confirmava que era a coisa mais certa a se fazer. Equilibrei a bandeja de papel, que segurava o copo, até o carro, tentando derrubar o mínimo de bebida possível.


Liguei o rádio e selecionei uma playlist para ir entrando no clima e afastar meu nervosismo. A ideia de esquecer algo penetrou meus pensamentos. A música tornou-se incomoda enquanto eu pensava no que faltava. Desliguei o rádio. O vento que entrava pela janela se tornou uma brisa quando parei no farol. Esperando a luz vermelha apagar para dar oportunidade ao verde, avistei uma casa com um jardim todo enfeitado. Era isso que faltava, as flores.


Minha sorte foi que a florista ainda estava com a loja aberta. Fiquei na dúvida de quais flores comprar. Optei pela que apareceu primeiro em minha mente.


Estava com tudo preparado. Estacionei o carro e tentei acalmar a tremedeira nervosa que disparou pelo meu corpo. Peguei o buque de rosas-vermelhas que descansava no banco de trás do veículo. Enfiei a mão no bolso do paletó e tirei a pequena caixa aveludada do fundo. Limpei o suor da testa com um lenço umedecido. Peguei o saco de papel com o lanche esfriando e a bebida.


Toquei a campainha e ajoelhei no degrau.


A porta se abriu. Ela apareceu com um “halo” ao seu redor, causado pela lâmpada que a iluminava pelas costas. Mesmo com seus cabelos mais selvagens do que um Puma e o pijama improvisado de bolhas e xadrez, ela parecia mais angelical do que nunca. Respirei fundo para falar e…


TUM!


Fechou a porta. O barulho ecoava em meus ouvidos. Abalado, apoiei a embalagem do lanche na mureta e toquei novamente a campainha.


— CARLA — Gritei. — POR FAVOR, ABRA A PORTA.


O eco da minha voz teve apenas o silêncio como retorno. Apertei o botão novamente. Insisti até ouvir passos apressados se aproximarem da porta.


— Cara, que tu tá fazendo aqui? — Perguntou o irmão dela.


— Vim fazer uma surpresa pra sua irmã. Finalmente eu entendi os meus erros e vim acertar as coisas. — Retruquei confiante.


— Meu, você é maluco só pode! Vai embora.


— Preciso falar com ela, dessa vez vai ser diferente, por favor!


— DIFERENTE? Diferente o meu saco! Dessa vez ela não vai voltar contigo meu chapa. Você traiu ela com a melhor amiga dela e vem aqui dizer que se arrependeu? AAAhh me poupe.


— Eu vim pra consertar meus erros, você vai ver, estou mudado.


Lúcio pegou o saco de papel da mureta, conferiu o conteúdo e me olhou nos olhos:


— Ela não gosta de picles. — Disse entrando com o lanche. — E odeia rosas! — finalizou batendo a porta na minha cara.


🤔Se fosse pedir alguém em casamento (Ou fosse receber um pedido de casamento), o que não poderia faltar no ato?

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Nos vemos na próxima, um abraço contido e até a próxima!

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